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Serão os dados o novo petróleo?

Em pleno século XXI o petróleo está a passar para segundo plano, mas a "perfuração" e a pesquisa por novas fontes de valor continuam.


A valorização dos dados

Há cerca de sessenta anos, os Emirados Árabes Unidos não passavam de um país pobre em que o grosso do seu PIB assentava na pesca e na agricultura de subsistência. Num par de décadas, este emirado converteu-se num território de ostentação e dinheiro fácil graças à descoberta de jazidas de petróleo no seu território. Esta história, com as devidas nuances, repetiu-se um pouco por todo o lado onde do solo brotou o chamado “ouro negro”.

Em pleno século XXI, o petróleo está a passar, para bem do planeta, para segundo plano, mas a “perfuração” e pesquisa por novas fontes de valor não parou. Os dados, esse conjunto de informações que os cidadãos, governos ou empresas disponibilizam ao mundo digital têm vindo a afirmar-se como uma fonte de riqueza. Afinal de contas, vivemos na Era da Informação e, como dizia Steve Jobs, “informação é poder”.

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A valorização dos dados enquanto commodity

A expressão “Data is the new Oil” foi cunhada em 2006 e, desde então, vem sendo utilizada com frequência em publicações importantes, citadas por CEOs e líderes mundiais da Fortune 500, para se referir à importância dos dados e da informação nesta era em que tudo, ou quase tudo, passa pela Internet. Trata-se de uma analogia, pois da mesma forma que há um século, as empresas que conseguiram explorar petróleo, acumularam vasta riqueza, estabeleceram monopólios e construíram a base da economia, hoje, as empresas “data-driven” como a Google, Facebook, Uber, Amazon ou a Yahoo, estão a fazer o mesmo.

Apesar de muitos dos serviços digitais serem gratuitos, esta “borla” vem com um pagamento que pode passar despercebido: os dados pessoais que nós lhes fornecemos.

Se não paga por um produto é porque o produto é você

Por exemplo, ao comprarmos um produto via Amazon estamos a fornecer a esta empresa informação sobre a nossa tipologia de consumo, enquanto ao publicarmos um post no Facebook ou uma foto no Instagram damos a estas companhias informação relevante sobre a nossa visão política ou localização geográfica.

Estes dados, servem para que estes gigantes da tecnologia aperfeiçoem os seus algoritmos e consigam prever padrões, tornando-se mais eficientes e aliciando mais consumidores. A Google sabe quais são as pesquisas dos utilizadores, o Facebook conheça as suas preferências e partilhas e a Amazon tem conhecimentos sobre o que compram e isto, como se viu no caso da Cambridge Analytica, pode não só comprometer a privacidade dos cidadãos como ter impactos profundos na governação de um país.

A Economia dos Dados coloca em Risco as Democracias?

Com a informação de milhões de utilizadores do Facebook, a Cambridge Analytica criou um algoritmo que cruzava esses dados e traçava perfis psicológicos. Depois disto, esta empresa “bombardeava” os utilizadores com publicidade e notícias falsas favoráveis ao Brexit especificamente concebidas para cada um deles. Tamanha foi a perfeição que o “Sim” ao Brexit venceu levantando questões sobre a utilização e segurança dos dados que deixamos ao dispor das tecnológicas.

Contudo, e apesar dos milhões em receitas que o direcionamento de publicidade (parte fundamental desta “Economia de Dados”) dá a ganhar a empresas como o Facebook, as informações que deixamos no mundo digital têm também uma vertente importante em termos sociais e podem, quando bem geridas, ser uma ferramenta decisiva na resolução de problemas do âmbito social e laboral e, por conseguinte, na evolução da própria humanidade.

Veja-se o exemplo da aplicação “stay away covid” lançada pelo governo português. Neste caso, a partilha de dados torna-se um aliado no combate à pandemia permitindo que quem tenha esta app instalada no smartphone saiba se aqueles que o rodeiam em determinado momento estão ou não infetados. Não há dinheiro envolvido, mas o valor comunitário é incalculável.

De forma diferenciada, também o mundo do trabalho tal como o conhecemos está a mudar e os dados são cruciais nessa mudança. Como vimos, a compra e venda de dados é um dos pilares de gigantes tecnológicos, mas estas informações têm múltiplas outras aplicações.

Machine Learning e Deep Learning

A Inteligência Artificial vai roubar-nos os empregos?

Com a IA (Inteligência Artificial) e a “robotização” do mundo laboral a adquirirem um plano de destaque nas empresas e nos serviços por elas prestados aos consumidores, a quantidade e qualidade dos dados que formos capazes de recolher, analisar, armazenar e produzir serão de extrema importância.

Para que um assistente virtual possa dar ao cliente as informações que deseja, é necessário que tenha sido disponibilizado um conjunto de dados anteriormente. Estes serviços parecem e são intuitivos, quem nunca se divertiu a questionar um destes assistentes sobre os mais diversos assuntos? Mas por trás de todos eles está um processo que envolveu a análise e depuração de um enorme conjunto de informações. Uma grande parte delas é fornecida através dos nossos (cidadãos/empresas/governos) comportamentos online.

O quê é Machine Learning e Deep Learning?

A importância dos dados na programação não se fica pelos assistentes virtuais. Hoje em dia, já vemos robôs a serem utilizados na interação com pessoas, em funções que exigem outras capacidades, até aqui consideradas exclusivamente humanas. Para que isto fosse possível tiveram que entrar em campo os conceitos “Machine Learning” e “Deep Learning”, ambos pertencentes ao domínio da Inteligência Artificial.

Enquanto o “Machine Learning” é a ciência que permite que máquinas realizem ações sem a necessidade de serem programadas para tal, uma vez que isto é alcançado por intermédio de algoritmos que organizam a informação que a máquina irá conter (dá-lhe uma espécie de “mapa” do que deve fazer e quando o fazer), o “Deep Learning” vai mais longe. Este é um algoritmo superior que mimetiza o funcionamento da rede neuronal de um cérebro humano permitindo à máquina/robô “aprender a aprender”, ou seja, aprender a ver o mundo e a comunicar como os humanos.

A interação entre humanos e tecnologia será tão inevitável quanto imprescindível enquanto ativo-chave para o sucesso dos novos negócios e para o futuro das Organizações e isto acontecerá, sem excepção, por algo que temos vindo a repetir ao longo deste artigo, a capacidade de recolher, analisar, armazenar e produzir dados.

Seja na Publicidade, na política ou nas transformações no trabalho, a informação é poder e quem o deter terá vantagem, inclusive económica.