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Investir em Bitcoin em 2021 vale a pena?

O mercado das criptomoedas é volátil e não tem supervisão dos bancos centrais. Mas será que vale a pena investir em Bitcoin em 2021?


investir em Bitcoin em 2021

Se a Bitcoin valorizou 423% em 2020, só no período entre 22 de janeiro e 21 de fevereiro de 2021, o valor desta criptomoeda quase que duplicou passando de 27 mil para 47,4 mil euros a unidade, respetivamente. A pergunta que fica é: Vale a pena investir em Bitcoin em 2021?

É caso para dizer que os investidores estão loucos, e mais loucos parecem estar os responsáveis da Tesla que anunciaram recentemente um investimento de 1,5 mil milhões de dólares catapultando o mercado de criptomoedas para um estratosférico valor global de 1,31 biliões de dólares.

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A Bitcoin, criptomoeda dominante no mercado não é, contudo, a única a disparar em valor. A subida está a beneficiar outras criptomoedas como é o caso da Dogecoin que soma um crescimento de 28,18%, da Ethereum, que soma 13,13% e da Litecoin que ganha 13,06%.

Face à grandeza dos e dos investidores, a pergunta impõem-se: vale a pena investir em Bitcoin em 2021?

Vamos por partes.

O que é e para que serve a Bitcoin?

Criada pelo programador japonês Satoshi Nakamoto em 2009, a Bitcoin é uma moeda digital que permite transações financeiras sem intermediários, isto é, sem a interferência ou supervisão dos bancos centrais, mas verificadas por todos os utilizadores (nodos) da rede, que são gravadas num banco de dados distribuídos chamado blockchain.

Em termos simples, a tecnologia blockchain denomina uma rede descentralizada, isto é, uma estrutura sem uma entidade administradora central, tornando impossível a qualquer autoridade financeira ou governamental manipular a emissão e o valor da criptomoeda ou induzir a inflação com a produção de mais dinheiro.

As transferências de criptomoedas são eficientes, rápidas, e seguras. Além disso, não há forma de parar ou reverter transações, ao contrário do sistema financeiro tradicional.

Deste modo, qualquer pessoa pode ser o seu próprio banco, bastando uma conexão com os demais utilizadores da rede. Ou seja, basta um smartphone e acesso à internet para administrar a sua carteira virtual de criptomoedas.

De onde vem o valor da Bitcoin?

O Bitcoin surgiu para tirar o poder de emissão de divisas das mãos dos governos, que através da inflação reduz o poder de compra dos poupadores. Isto foi possível através de uma moeda digital cujo valor é determinado única e exclusivamente pela livre oferta e procura.

Entre as características que tornam a Bitcoin altamente desejada, podemos citar:

  1. Descentralização: não há uma instituição ou grupo que controle a rede, quer em questões de desenvolvimento, quer na manutenção do dia-a-dia;
  2. Segurança: a rede é protegida por um esforço computacional gigantesco, distribuído entre os mineradores (equivalente digital ao processo de impressão de notas tradicional) e os utilizadores, denominados nodos;
  3. Escassez: na criação do seu código-fonte, foi definido um calendário progressivo e decrescente da emissão de novas Bitcoins para remunerar os mineradores, com um limite máximo de 21 milhões de moedas;
  4. Imutabilidade: a partir do momento em que a transação é incluída na rede por um minerador e verificada pelos utilizadores, torna-se irreversível;
  5. Fungível: por se tratar de um bem digital, a criptomoeda é fungível e divisível, ou seja, pode ser fracionada em pequenas partes e transacionada entre os seus participantes sem perder as características que lhe dão valor.

Qual é a expectativa de valorização?

No início deste artigo já referimos a extraordinária valorização que a Bitcoin sofreu durante o último ano e, em especial, nos primeiros meses deste ano, mas será que esta valorização vai continuar a verificar-se no futuro ao ponto de valer a pena investir em Bitcoin?

Tal como qualquer outro ativo financeiro, o valor de uma Bitcoin está condicionado única e exclusivamente pela oferta e procura do mercado. A entrada em ação de grandes investidores institucionais como a Tesla, parece garantir uma valorização de grande alcance futuro, mas, apesar de tudo, é impossível prever com certeza o que acontecerá nos próximos anos.

Ao contrário do mercado das rendas fixas, onde existe uma previsibilidade de retornos, nas moedas, commodities, e renda variável, a flutuação da cotação é livre. Em resumo, a expectativa de valorização depende do número de interessados, ou seja, da adoção da Bitcoin como reserva financeira ou meio de transação.

Porquê é que grandes investidores como a Tesla estão a investir em Bitcoin?

De uma forma geral, empresas como a Tesla e fundos de investimento que estão a apostar na compra de Bitcoin, apontam a desvalorização do dólar como principal fator na decisão depois de vários governos terem colocado mais de 7 trilhões de dólares adicionais em circulação durante 2020.

Os beneficiários deste estímulo, ao invés de utilizarem estes recursos para comprar bens e serviços, ou ampliar a produção, optaram por poupar o que levou a bolsa de valores norte-americana a atingir máximos históricos.

Outra das consequências desta política foi a queda nas taxas de juros, o que acabou por forçar os investidores a procurarem aplicações com alguma perspectiva de retorno. Dados estes fatores, a pouco a pouco, a percepção de que a Bitcoin pode atuar como uma proteção contra variações bruscas do mercado acionista, justamente por não ser inflacionário, acabou por seduzir investidores institucionais como a Tesla.

Vale a pena investir em Bitcoin em 2021?

Depois de tudo o que referimos, a resposta a esta pergunta é sim, mas um sim com algumas reservas dado que o mercado é volátil e pode mudar muito rapidamente. Se há quem tivesse ganho muito dinheiro ao investir em Bitcoins, também existe o inverso.

Apesar de mais resistente a crises económicas e, por isso, mais adaptada a um cenário macroeconómico, esta moeda digital também está a sujeita a flutuações de valor repentinas.

A Bitcoin teve muitos altos e baixos nos últimos dez anos e foi dado como “morta” quase 400 vezes. Porém, apesar das quebras, a Bitcoin acabou por voltar mais forte e ultrapassar sempre a sua cotação até aí mais alta.

Segundo os analistas, com base nos efeitos da rede Bitcoin, a crescente adesão, o forte choque de oferta após o halving (queda na emissão de Bitcoins que se processa de 4 em quatro anos) de 2020 e a queda macro na volatilidade, esta criptomoeda está pronta para ter um desempenho ainda melhor em 2021.